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Idiomas no Mercado de Trabalho

15/09/2016


Aprender um segundo ou terceiro idioma é fundamental para uma carreira bem sucedida, mas fique atento a alguns fatores.
Texto: Marley Trifilio

Você já está acostumado a abrir o caderno de empregos do jornal e ver um anúncio pedindo inglês fluente e até uma terceira língua, de preferência. Pode ser espanhol, alemão, japonês, russo ou outro idioma. Esses requisitos se devem, basicamente, porque o Brasil mantém relações comerciais com diversos países ou porque multinacionais estão instaladas por aqui e precisam ter funcionários que se comuniquem com a equipe da matriz no país de origem. Para se ter uma ideia, em São Paulo estão instaladas mais de 1.200 empresas alemãs. Também exportamos carne bovina para a Rússia. Isso, entre outras transações comerciais, já garante mercado para quem se predispôs a aprender uma outra língua.
Segundo o professor de idiomas Carlos Rigueira, proprietário da rede Orbis Idiomas e autor dos livros: Línguas - Como obter sucesso no aprendizado e Método Natural de Aprendizado, um terceiro idioma já é pedido pelas empresas, "A terceira língua conta como um grande diferencial e aumenta consideravelmente os rendimentos, observa o professor.

Questão de foco

A essa altura deve estar sentindo um nó na garganta quem colocou no currículo "inglês fluente", e enviou para aquela vaga tão sonhada na multinacional de maior destaque na área de atuação. Calma. Mesmo sem ser um expert na língua exigida, não está necessariamente fora do jogo, ou melhor, da seleção. Tudo vai depender do uso do idioma. Para o cargo de arquivista, por exemplo, de uma multinacional alemã instalada em São Paulo, foi exigido que os candidatos soubessem alemão. Na realidade, era necessário apenas saber ler. "Para essa função bastava que a pessoa identificasse os assuntos dos documentos e os separasse", conta o professor Carlos Rigueira

Nem tudo é fácil

O tempo também é outra questão essencial no processo de aprendizagem. Se você acha que é possível aprender fluentemente uma língua em poucos meses, está completamente enganado, garante o professor Carlos Rigueira. De acordo com seus cálculos, para falar bem um idioma, como o inglês ou o alemão, são necessários pelo menos uns três anos. "Se a pessoa quer aprender mesmo, e não apenas falar, levará cerca de cinco ou seis anos", diz Rigueira.
Imagine, então, aquelas propagandas garantindo que você pode aprender inglês e espanhol em quatro semanas ou até mesmo dormindo. O professor não deixa por menos: "é tudo mentira", "Não há fórmula mágica para aprender".
Para o professor, empresário e escritor Carlos Rigueira, há uma tendência muito comercial em boa parte das instituições de ensino de idiomas no Brasil. "Os donos de muitas escolas estão mais interessados em manter as salas de aulas cheias, e não no resultado obtido pelos alunos ao final do curso". Rigueira explica que isso é facilmente percebido ao analisar a metodologia usada pela escola. Segundo ele, aquelas que utilizam a tradução como ferramenta básica na sala de aula cometem um grande erro. "É a mesma coisa em um carro no qual você acelera e pisa no freio ao mesmo tempo", compara.

A escolha certa

A decisão de iniciar um curso de idioma é importante para uma carreira de sucesso, mas, assim como o curso de graduação, é essencial que a escolha seja adequada ao seu perfil e aos seus objetivos, além, é claro, de primar pela qualidade. Nesse momento é preciso observar alguns aspectos. Veja quais são eles:

> PESQUISE O CORPO DOCENTE.
O fato de um professor ser nativo não é garantia de que ele tenha capacitação em ensino de idiomas;
> PROCURE REFERÊNCIAS de alunos e ex-alunos;
> VEJA SE HÁ EMPATIA COM O PROFESSOR, caso contrário, é melhor mudar, pois isso pode comprometer o rendimento;
> VERIFIQUE OS RECURSOS QUE A ESCOLA UTILIZA, tais como laboratórios e material didático; este deve ser, de preferência, de literatura internacional;
> COMPROVE A IDONEIDADE DA INSTITUIÇÃO;
> DEIXE CLARO QUAIS SÃO OS SEUS OBJETIVOS, se é aprender a língua para viagens, gramática, negócios;
> ANALISE A LOCALIZAÇÃO DA ESCOLA, às vezes uma grande distância pode comprometer a frequência;
> OBSERVE A BIBLIOTECA.
Veja se há vários dicionários e livros na língua em questão;
> EXAMINE O NÚMERO DE ALUNOS POR TURMA; o ideal é de no máximo doze;
> VERIFIQUE O TEMPO DE DURAÇÃO DO CURSO, os relâmpagos não são recomendados;
> PROCURE UMA ESCOLA ESPECIALIZADA na língua que você deseja aprender;
> INVESTIGUE A METODOLOGIA UTILIZADA.